Mãe

Filmes? Não os vejo faz tempo! Livros? Até tento lê-los, mas não consigo terminá-los. Músicas? Só as de ninar. Nada sobre o que escrever então? Ao contrário! Assunto é o que não falta na minha vida nos últimos meses, só que nada muito ligado aos temas que costumava abordar neste blog. Mas, como o roteiro é aberto, acho que não tem problema escrever sobre a minha nova condição: a de mãe.

Os últimos quatro meses foram de noites mal dormidas, choro, muitas fraldas trocadas, dores nas costas, mas uma felicidade esfusiante por causa do sorriso de uma criaturinha que só tem 63 centímetros. O tempo parece correr mais rápido, e quando percebo mais um dia se foi. Para quem sempre trabalhou fora de casa, na frenética vida de jornalista, os meses de licença maternidade foram de estranhamento – pelo menos no início. Os momentos de folga à frente da TV em meio a novelas e Ana Maria Braga davam uma sensação inicial de inutilidade, quebrada com o chorinho de Malu após mais um de seus breves – brevíssimos cochilos – ao longo do dia. E aí, nada mais de conseguir se concentrar em futilidades, pois era hora de dar mamar, trocar fralda, dar banho, ninar… enfim!

E eis que ela me chama e o texto fica pela metade! Vida de mãe!

Frustrações e ironias – Ou sobre como a vida tem me ensinado a ser “Poliana”

Ninguém lida bem com frustrações. Isto é fato. Mas, a bem da verdade, existem no mundo tantos seres muito mais tolerantes que eu à incômoda sensação de que o seu nado não o levou a lugar nenhum, sua corrida foi feita em uma esteira que simplesmente te deixa estático, apesar do suor do seu rosto. Ninguém gosta de se esforçar por algo e vê que aquele desejo – por vezes bobo – torna-se mais distante quanto mais você tenta se aproximar.

Posso dizer sem exageros que sou uma boa colecionadora de frustrações ao longo da minha vida. Desde sempre. Não que tivesse grandes ambições; eram, na verdade, sempre singelos os meus desejos. E ainda assim parecia sempre um milagre quando eu conseguia alcançar um objetivo pretendido. De fato, a dificuldade é proporcional à recompensa ao seu final. Um lutador valoriza mais sua performance se não vence logo no primeiro round. O nocaute é bom, válido, mas precisa ser a custo de sangue e suor para ter o gosto sempre inenarrável da vitória.

Pois bem, se por um lado sempre fui uma pessoa de acumular frustrações – grandes e pequenas -, também posso dizer que todas essas “perdas” me fizeram valorizar bem mais as minhas conquistas. Passei cinco anos dirigindo o mesmo carro, um Ford KA branco 2006/2007, com a sensação de que tinha acabado de buscá-lo na concessionária. Sim, parece bobagem, mas comprar meu próprio carro, depois de uma vida cheia de limitações, era algo para ser mesmo intimamente comemorado todos os dias. Ter que me desfazer dele agora para seguir a ordem natural das coisas e adquirir um modelo mais novo está sendo bastante doído. Para muitos, é apenas um carro com muitos anos de uso, um bem material e nada mais. Para mim, é um símbolo da superação de muitos dos percalços da minha própria vida.

E se nada me veio sem sua dose de custo, não seria diferente no momento mais importante da minha vida. Ser mãe nunca foi uma de minhas ambições, mas desde que me descobri à espera de um outro ser, passou a ser com tamanha intensidade como se tivesse sempre sido um desejo. As limitações naturais deste estado interessante nunca me frustraram tanto quanto a que estou tendo que experimentar nesses poucos meses antes de ver a minha desejada Malu em meus braços.

Escrever, para mim, sempre foi uma necessidade; a melhor maneira de me expressar; algo muito natural. E, justamente agora, quando vivo o meu momento de maior inspiração, preciso deixar caneta e papel, teclas e tela de lado por causa das fortes dores nas minhas mãos, graças a uma patologia de nome pomposo: tenosinovite de Quervain. Esse é um último texto antes de um recesso da atividade que me define como pessoa e profissional. Resta-me buscar sentidos em mais esta frustração e, mais uma vez, me fortalecer para voltar a escrever com muito mais inspiração. E fazendo jus ao meu nome, tentando ver o lado bom das coisas, vou aproveitar essa minha licença forçada para tentar colocar minha leitura em dia. E que este seja um até breve! Assim espero.

Maranhão Na Tela de volta!

Documentário sobre a cantora Elza Soares está na programação do festival


Depois de dois anos, finalmente o público de São Luís terá de volta uma das boas iniciativas sobre cinema já realizadas na capital maranhense. O Maranhão Na Tela está de volta!

A quarta edição do festival Maranhão na Tela acontecerá de 6 a 16 de setembro, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande). Serão 11 dias de incentivo à cultura por meio da sétima arte, no mês de aniversário dos  399 anos de São Luís, com exibição de filmes e realização de cursos, oficinas, laboratórios e workshops.

O projeto sociocultural idealizado e coordenado pela produtora Mavi Simão, tem o objetivo de fomentar a produção audiovisual maranhense. Realizado desde 2007, a edição deste ano do Maranhão na Tela é apresentada pela Eletrobrás Furnas e patrocinada pela Vale. “O investimento em cultura é fundamental para garantir a viabilidade dos projetos e o desenvolvimento humano e territorial”, avalia Mavi.

O festival de cinema oferecerá opções de lazer e conhecimento para crianças, jovens e adultos. No caso da garotada, a diversão será garantida com o “Maranhão na Telinha”; já a mostra “Brasil de Ficção” exibirá filmes nacionais que foram destaque em 2010 e 2011 e uma mostra especial homenageará o produtor e roteirista José Louzeiro, com os filmes Pixote, Quem matou Pixote e Lúcio Flávio, passageiro da agonia. Para ninguém ficar de fora, os amantes da boa música poderão assistir a mostra “Musica para os Olhos” que exibirá documentários musicais.

A programação incluirá, ainda, debates sobre os temas animação e distribuição cinematográfica, com a participação de atores, produtores e diretores nacionais. Entre os palestrantes está o diretor de novelas e minisséries da Rede Globo,  Luiz Antonio Pilar. Formado em Artes Cênicas pela UNI-RIO, Pilar dirigiu a Casa das sete mulheres, Brava gente, O Sítio do Pica-Pau Amarelo e Por toda minha vida, além de show do cantor Milton Nascimento e documentários do Canal Futura, entre outros trabalhos. A atriz Roberta Rodrigues, que interpreta a Fabíola da novela Insensato Coração é outra convidada. Ela participará do seminário “Negro no cinema”.

Capacitação - A capacitação acontecerá por meio de cursos, oficinas, laboratórios e workshops, disponibilizará 850 vagas gratuitas e também acontecerá no Odylo Costa, filho. Cursos de animação, análise do filme e produção executiva, (400 vagas); oficinas de produção cinematográfica (30); laboratórios de roteiro e direção (60); workshop de empreendedorismo cultural e individual (200). Outra importante atividade será a realização de seminário que abordará a questão do negro no cinema com 100 vagas. Para a animação de bolso, serão disponibilizadas 60 vagas para o público presente no festival.

As inscrições acontecem no período de 29 de agosto a 2 de setembro, no prédio do Sebrae, (praça Pedro II, Centro), das 14h às 18h.

Resultados – Nas edições de 2007, 2008 e 2009, o festival Maranhão na Tela realizou 196 sessões e atingiu um público de cerca de 20 mil pessoas com a exibição de 321 filmes, entre curtas e longa- metragens. Desse total, 90% inéditos e organizados com foco na formação de uma platéia crítica.

 

A sessão de encerramento do festival de 2011 exibirá o longa-metragem escolhido pelo público e também os curtas  das oficinas de vídeo de baixo orçamento e animação de bolso.

Para consultar toda a programação, acesse www.maranhaonatela.com.br

*Texto da assessoria de imprensa do Festival 

PROGRAMAÇÃO RESUMIDA – MNT 2011:

06/09 – terça-feira: (Convidados)
CINE PRAIA GRANDE
19h Sessão de Abertura

07/09 – quarta-feira:
CINE PRAIA GRANDE
10h MA na TelinhaAnim!Arte 1 (2010/2011, 60’) + Oficina Animação de Bolso
15h Seminário Negro no Cinema
19h PerfisEm Quadro, a História de Quatro Negros na Tela (2009, 93’), de Luis Antônio Pilar + bate-papo com elenco e diretor
21h Brasil de FicçãoVamos Fazer um Brinde (2010, 70’), de Sabrina Rosa e Caví Borges

TEATRO ALCIONE NAZARETH
10h30 MA na TelinhaAs Aventuras de Gui e Estopa (2006, 72’), de Mariana Caltabiano
16h Workshop SEBRAE Empreendedorismo Cultural
18h30 Música para os OlhosElza (2010, 82’), de Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan
20h30 Novo OlharMalditos Cartunistas (2011, 93’), de Daniel Garcia e Daniel Paiva

SALA MULTIMÍDIA (ODYLO)
14h Oficina Vídeo de Baixo Orçamento – Parte 1 l Cavi Borges e Christian Caselli
18h Laboratório Direção l Luis Antonio Pilar

08/09 – quinta-feira:
CINE PRAIA GRANDE
10h MA na TelinhaAnim!Arte 2 (2010/2011, 60’) + Oficina Animação de Bolso
15h Curso Cinema de Animação
19h PerfisA Raça Síntese de Joãozinho Trinta (2009, 62’), de Paulo Machline e Giuliano Cedroni
21h Debate Animação
23h Homenagem José LouzeiroPixote, a Lei do Mais Fraco (1981, 129’), de Hector Babenco

ESTACIONAMENTO PRAIA GRANDE:
19h30 PerfisEm Quadro, a História de Quatro Negros na Tela (2009, 93’), de Luis Antônio Pilar

TEATRO ALCIONE NAZARETH
10h30 MA na TelinhaGui e Estopa e a Natureza (2009, 52’), de Mariana Caltabiano
16h Workshop SEBRAE Empreendedorismo Cultural
18h30 Música para os OlhosSistema de Animação (2009, 80’), de Guilherme Ledoux e Alan Langdon
20h30 Novo OlharA Noite dos Chupacabras (2011, 104’), de Rodrigo Aragão

SALA MULTIMÍDIA (ODYLO)
14h Oficina Vídeo de Baixo Orçamento – Parte 1 l Cavi Borges e Christian Caselli
18h Laboratório Direção l Luis Antonio Pilar

09/09 – sexta-feira:
CINE PRAIA GRANDE
10h MA na TelinhaBrasil Animado (2011, 75’), de Mariana Caltabiano + Oficina Animação de Bolso
15 Curso Cinema de Animação
19h PerfisBelair (2009, 80’), de Noa Bressane e Bruno Safadi
21h Debate Distribuição
23h Homenagem José LouzeiroQuem Matou Pixote? (1996, 110’), de José Joffily

ESTACIONAMENTO PRAIA GRANDE
19h30 Música para os OlhosSistema de Animação (2009, 80’), de Guilherme Ledoux e Alan Langdon

TEATRO ALCIONE NAZARETH
10h30 Galera na TelaAntes que o Mundo Acabe (2009, 100’), de Ana Luiza Azevedo
16h Workshop SEBRAE Empreendedorismo Individual
18h30 Música para os OlhosRock Brasileiro, História em Imagens (2010, 70’), de Bernardo Palmeiro
20h30 Novo OlharEstrada para Ythaca (2010, 70’), de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti

SALA MULTIMÍDIA (ODYLO)
14h Oficina Vídeo de Baixo Orçamento – Parte 1 l Cavi Borges e Christian Caselli
18h Laboratório Direção l Luis Antonio Pilar

10/09 – sábado:
CINE PRAIA GRANDE
10h Galera na TelaAntes que o Mundo Acabe (2009, 100’), de Ana Luiza Azevedo + Oficina Animação de Bolso
15h Curso Cinema de Animação
19h PerfisNélida Piñon, Mapa dos Afetos (2010, 84’), de Julio Lellis
23h Homenagem José LouzeiroLúcio Flávio, Passageiro da Agonia (1977, 122’), de Hector Babenco

ESTACIONAMENTO PRAIA GRANDE
19h30 Música para os OlhosElza (2010, 82’), de Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan

TEATRO ALCIONE NAZARETH
10h30 Curso Produção Executiva l Clélia Bessa
18h30 Música para os OlhosFilhos de João, o Admirável Mundo Novo Baiano (2009, 76’), de Henrique Dantas

SALA MULTIMÍDIA (ODYLO)
14h Oficina Animação de Fotografia l Vicente Simão

11/09 – domingo:
CINE PRAIA GRANDE
10h Galera na TelaHouve Uma Vez Dois Verões (2002, 75’), de Jorge Furtado
15h Brasil de FicçãoComo Esquecer (2010, 100’), de Malu de Martino
19h Brasil de FicçãoNatimorto (2009, 92’), de Paulo Machline
21h Brasil de FicçãoElvis e Madona (2011, 105’), de Marcelo Laffitte

TEATRO ALCIONE NAZARETH
10h30 Curso Produção Executiva l Clélia Bessa
18h30 Galera na TelaDesenrola (2011, 75’), de Rosane Svartman

SALA MULTIMÍDIA (ODYLO)
14h Oficina Animação de Fotografia l Vicente Simão

12/09 – segunda-feira:
CINE PRAIA GRANDE
10h MA na TelinhaAs Aventuras de Gui e Estopa (2006, 72’), de Mariana Caltabiano
15h Curso Análise do Filme l Tadeu Capistrano
19h Brasil de FicçãoVamos Fazer um Brinde (2010, 70’), de Sabrina Rosa e Caví Borges
21h Novo OlharEstrada para Ythaca (2010, 70), de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti

SALA MULTIMÍDIA (ODYLO)
14h Oficina Vídeo de Baixo Orçamento – Parte 2 l Christian Caselli

13/09 – terça-feira:
CINE PRAIA GRANDE
10h MA na TelinhaGui e Estopa e a Natureza (2009, 52’), de Mariana Caltabiano
15h Curso Análise do Filme l Tadeu Capistrano
19h Brasil de FicçãoComo Esquecer (2010, 100’), de Malu de Martino
21h Novo OlharA Noite dos Chupacabras (2011, 104’), de Rodrigo Aragão

SALA MULTIMÍDIA (ODYLO)
14h Oficina Vídeo de Baixo Orçamento – Parte 2 l Christian Caselli
18h Laboratório Roteiro l Leonardo Menezes

14/09 – quarta-feira:
CINE PRAIA GRANDE
10h MA na TelinhaAnim!Arte 1 (2010/2011, 60’)
15h Curso Análise do Filme l Tadeu Capistrano
19h Brasil de FicçãoNatimorto (2009, 92’), de Paulo Machline
21h Novo OlharDesassossego (2011, 55’), de Karim Ainöuz, Felipe Bragança e Marina Meliande, entre outros.

ESTACIONAMENTO PRAIA GRANDE
19h30 Música para os OlhosFilhos de João, o Admirável Mundo Novo Baiano (2009, 76’), de Henrique Dantas

SALA MULTIMÍDIA (ODYLO)
14h Oficina Vídeo de Baixo Orçamento – Parte 2 l Christian Caselli
18h Laboratório Roteiro l Leonardo Menezes

15/09 – quinta-feira:
CINE PRAIA GRANDE
10h MA na TelinhaAnim!Arte 2 (2010/2011, 60’)
15h Curso Análise do Filme l Tadeu Capistrano
19h Brasil de FicçãoElvis e Madonna (2011, 105’), de Marcelo Laffitte
21h Novo OlharMalditos Cartunistas (2011, 93’), de Daniel Garcia e Daniel Paiva

ESTACIONAMENTO PRAIA GRANDE
19h30 Música para os OlhosRock Brasileiro, História em Imagens (2010, 70’), de Bernardo Palmeiro

SALA MULTIMÍDIA (ODYLO)
14h Oficina Vídeo de Baixo Orçamento l Parte 3 – Edição l Christian Caselli
18h Laboratório Roteiro l Leonardo Menezes

16/09 – sexta-feira:
CINE PRAIA GRANDE
10h MA na TelinhaBrasil Animado (2011, 75’), de Mariana Caltabiano
15h Curso Análise do Filme l Tadeu Capistrano
19h Sessão de Encerramento – Longa escolhido pelo público + Curta-Metragem Oficina de Vídeo de Baixo Orçamento + Curtas-Metragens Oficina Animação de Bolso

ESTACIONAMENTO PRAIA GRANDE
19h30 PerfisA Raça Síntese de Joãozinho Trinta (2009, 62’), de Paulo Machline e Giuliano Cedroni

SALA MULTIMÍDIA (ODYLO)
14h Oficina Vídeo de Baixo Orçamento l Parte 3 – Edição l Christian Caselli

 

Lola

A fotografia escura ilustra bem os dramas dos personagens centrais do filme Lola. Isso sem falar na chuva constante, uma dificuldade a mais a ser superada por Sepa e Puring, duas avós para quem o sol parece nunca brilhar. Uma luta para dar um enterro digno ao neto que foi assassinado; a outra não mede esforços para diminuir o sofrimento do neto que cometeu um crime. Em determinado momento da trama, os caminhos das duas senhoras se cruzam exatamente porque o neto de Puring é o assassino do neto de Sepa.

O cineasta filipino Brillante Mendonza começa a contar essa história a partir do drama de Sepa. As dificuldades enfrentadas pela mulher são ilustradas logo no início do longa, na simples tentativa de acender uma vela no local onde, na noite anterior, o neto fora assassinado. O vento que anuncia uma forte chuva na cidade de Manila tenta impedir aquela pequena luz de iluminar um pouco a vida daquela família. Esse é só o início de mais um dia difícil na vida de Sepa, sempre na companhia do neto mais novo.

Em um outro ponto de Manila, Puring leva uma vida não menos desafortunada. Além de trabalhar como feirante, ainda precisa cuidar do filho com problemas mentais. Isso sem falar na batalha para tirar o neto da prisão. Tudo isso enfrentando as limitações próprias da idade avançada – assim como no caso de Sepa. É na tentativa de dar dignidade aos netos – assassino e assassinado – que as duas mulheres se encontram, primeiro com uma certa hostilidade, mas depois com uma quase compreensão dos dramas vividos por ambas.

Lola é um filme de origem Filipina, mas universal como deve ser o bom cinema. Brillante Mendonza parece querer mostrar que os dramas protagonizados por mulheres que são mães duas vezes e já acumulam muitos anos de batalha independem de diferenças culturais e condições financeiras. Além disso, a produção ainda faz um recorte interessante de um país pouco conhecido pelos brasileiros. Apesar da distância geográfica, o diretor do longa-metragem conseguir perceber semelhanças entre Brasil e Filipinas em sua recente passagem por São Luís – o filme abriu o I Festival Internacional Lume de Cinema, encerrado no último dia 23 de julho.

No entanto, vale ressaltar que Lola tem um ritmo um pouco lento que pode desagradar alguns expectadores. Mas quem quiser experimentar um cinema quase desconhecido – principalmente aqui em São Luís – pode conferir a produção no Cine Praia Grande, em cartaz até o dia 4 de agosto, com sessões às 16hs, 18hs e 20hs e tirar suas próprias conclusões.

 

*Texto publicado na edição do dia 31 de julho de 2011 do Jornal O Estado do Maranhão

Notícias do Festival Lume de Cinema

Cena do filme "Avenida Brasília Formosa"

A quarta-feira (20) reserva alguns dos principais eventos paralelos ao Festival Lume Filmes, realizado desde o último dia 19 em São Luís. Às 20h, será lançado, no Centro Cultural Odylo Costa Filho, o livro “Os Filmes que Sonhamos”. Organizado pelo diretor geral da Lume Filmes, Frederico Machado, o livro traz 60 críticas de filmes já lançados no mercado de DVD brasileiro pela Lume.

Os textos foram escritos por críticos de todo o Brasil e trazem um recorte do pluralismo de gêneros e estilos cinematográficos que compõem o catálogo de DVDs da Lume. São filmes que vão desde clássicos do cinema japonês, com obras de Ozu e Mizoguchi até trabalhos marcantes realizados nos países do leste europeu durante o período da Cortina de Ferro, além de filmes seminais do Cinema Marginal Brasileiro e obras mais contemporâneas com a assinatura de cineastas europeus.

Às 14h, no mesmo local, o crítico e jornalista Alex Antunes apresenta a palestra “Cinema e Cultura Pop”. Os temas abordados na palestra de Antunes vão desde o cinema como linguagem pop e suas possibilidades de diálogo com diversos gêneros cinematográficos até questões relativas à música e ao universo cultural que constituem a idéia de uma arte pop.

Os destaques da programação nesta quarta-feira são dois longas em competição. Com sessão marcada para as 16h30, o filme do diretor pernambucano Gabriel Mascaro, “Avenida Brasília Formosa”, é o último concorrente da Mostra Competitiva Nacional a ser exibido em São Luís do Maranhão. Já às 19h acontece a projeção de “As Tentações de Santo Antônia”, do diretor estoniano Veiko Õunpuu. O longa turco “Branco como a Neve”, de Selim Gunes, encerra o sexto dia do Festival Lume Filmes com exibição marcada para as 21h30.

 

*Texto da Assessoria de Imprensa do Festival

Professores de quatro patas

Sim, este é um blog que se pretendia cultural! Pelo menos em sua gênese, a idéia era divulgar os escritos de uma mente fervilhante, sem grandes pretensões, apenas para que não ficassem guardados nos arquivos de meu computador. Mas nunca me impus regras tão rígidas na hora de escrever, por fazê-lo de forma tão espontânea quanto pensar – nem tão imediata, é bem verdade. Certo é que escrever é uma necessidade, uma forma de jogar no mundo a minha visão das coisas. Se interessar a alguém, melhor!

E entre as minhas tantas paixões, uma das mais latentes talvez não tenha tanto a ver com cultura – ou tenha -, mas me motiva também a refletir e, por fim, escrever. Aqui mesmo neste blog já fiz algumas referências aos animais, por quem nutro um extremo amor desde que me entendo por gente. Nem consigo lembrar de todos os cães e gatos que já tive na minha vida – todos adotados, nenhum comprado, diga-se de passagem – e de todo o bem que me fizeram. O ser humano é de uma arrogância ridícula, que chega a ser incapaz de reconhecer o quanto pode aprender com a vida animal.

Esta semana mais uma das tantas histórias envolvendo atos generosos de animais chegou à mídia: uma cachorrinha, enquanto passeava com sua dona, farejou vida em uma sacola plástica abandonada na rua. No frio que tem surpreendido até mesmo quem está acostumado com esse tipo de temperatura, uma criatura – recuso-me a chamá-la de mãe – teve a coragem de abandonar um bebê à própria sorte. Se não fosse a cachorrinha – e, claro, sua dona – aquela criança não teria direito a viver.

Para quem já observou o trato de uma cadela ou gata, ou animal de qualquer outra espécie, com os seus filhotes, sabe o zelo que existe naquela relação intermediada meramente por instinto. O cuidado perdura até que aquele pequeno animal consiga sobreviver por si só. É o que se espera de uma mãe racional, que, além do instinto, tem sentimentos. Ou deveria ter.

Muitos criticam, por exemplo, o desvelo de alguns donos com seus bichinhos e alegam que aquele extremo cuidado deveria ser direcionado a pessoas em situação de abandono. Bom, uma coisa não impede a outra. Um bichinho de estimação só pede carinho, um pouco de atenção, comida, água e um cantinho para dormir. Mas o retorno que ele dá, só quem já teve ou tem um sabe. Não tem preço ser recepcionada com alegria todas as vezes que você chega; nem dar boas risadas com as firulas de sua gatinha com uma bola de papel; nem aliviar as tensões do seu dia com os carinhos em um pêlo macio. Imagina, então, o que é cuidar de um ser que, por instinto, salva uma vida.

O ser humano tem muito a aprender com os animais. Tomara que um dia se dê conta disso!

Dica: Quem quiser adotar um bichinho pode visitar o site da Amada, uma organização que recolhe animais abandonados e os direciona para adoção. Vale destacar que o trabalho é totalmente voluntário e sem fins lucrativos!

Julho em rápidas pinceladas

Julho é um mês em que as dicas de lazer  precisam ser mais diversificadas, para que muita gente – infelizmente, não eu – possa curtir suas férias, bem longe do fantasma do tédio. É uma massa de crianças, adolescentes e adultos ávidos por opções variadas, que atendam aos seus anseios por diversão despretensiosa ou boas experiências artísticas.

Na seara de shows, o mês começa com o Baile do Baleiro, que acontece neste sábado (02), a partir das 22h, na Lagoa da Jansen. Talvez mais interessante do que simplesmente matar as saudades da ótima sonoridade do cantor maranhense Zeca Baleiro – o que já seria motivo suficiente para ir ao show –, será a oportunidade de conferir um encontro, no mínimo inusitado, com o expoente da música brega dos anos 80, Odair José. Isso sem falar da participação da cantora Flávia Bittencourt!

Para quem gosta de reggae, a dica fica por conta da apresentação da banda Planta & Raiz, que acontece no domingo (03), a partir das 16hs, no Trapiche, na Ponta D’Areia. Já os roqueiros – autênticos ou fajutos – podem aproveitar o domingo para conferir as performances de algumas das melhores bandas do gênero no cenário maranhense atual. Gallo Azhuu, Torre de Papel, Velttenz e Megazines fazem a festa Rockaway Beach, a partir das 17hs, no Bar do Nelson na Avenida Litorânea.

Os saudosistas que ainda não cansaram do revival aos anos 80 – eu confesso que já cansei – podem conferir mais uma apresentação do cantor Kid Vinil em São Luís, no dia 8 de julho, na Let it Beer, na Ponta D’Areia. No dia 9 de julho, tem show da banda Angra, no mesmo local.

No dia 13 de julho, São Luís receberá a turnê itinerante do Prêmio da Música Brasileira, com cantores como Lenine, Zélia Duncan e Flávia Bittencourt interpretando canções do genial Noel Rosa. Programa imperdível!

Para quem ainda tem paciência para ouvir os berros do cantor Chorão, a banda Charlie Brown Jr. se apresenta no dia 14 de julho, no Trapiche, na Ponta D’Areia. Já o dia 23 de julho será uma oportunidade única para conferir a voz mansa e as composições poéticas de Marcelo Camelo, no Let it Beer, na Ponta D’Areia, em uma prévia do II Mulambo Festival, uma produção da Lima Dias Turismo e Eventos.

Cinema

Nem todo mundo tem paciência para enfrentar os cinemas lotados durante as férias – eu, por exemplo -, principalmente para assistir a filmes sem muito conteúdo. Para esses, uma ótima opção para este mês será a realização do I Festival Internacional Lume de Cinema, que acontece de 14 a 23 de julho, no Cine Praia Grande. O Festival é uma iniciativa da Lume Filmes, atualmente a mais importante distribuidora de cinema autoral e independente do Brasil.

Diferente de outros festivais internacionais já realizados pela produtora do cineasta Frederico Machado em anos anteriores, dessa vez o evento terá caráter competitivo. Para se ter uma idéia, mais de 2 mil produções de diversos países se inscreveram no Festival. Filmes de países como Japão, Filipinas, Bélgica, Holanda, Rússia, Chile, Grécia, entre outros, concorrerão nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro, Melhor Som, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora e Melhor Direção de Arte.

O Festival será aberto com a co-produção Finlândia/França “Lola”, dirigida por Brillante Mendonza – presença confirmada no evento – e será encerrado com o filme “Caminho para o nada”, dos Estados Unidos. A lista completa de filmes que serão exibidos durante o Festival você confere abaixo:

LONGAS METRAGENS – COMPETIÇÃO OFICIAL (INTERNACIONAL)

 

Bi, dung so! / Don´t be afraid, Bi / Não tenha medo, Bi

Vietnã/ França/ Alemanha/ 91 min. / 2010 / Drama – Direção: Phan Dang Di

 

Dooman River / Rio Dooman

Coréia do Sul/ França / 89 min. / 2010 / Drama – Direção: Lu Zhang

Wszystko, co kocham / All that I Love / Tudo que eu amo

Polônia / 95 min. / 2010 – Direção: Jacek Borcuth

Daca bobul nu moare/ If the seed doesn’t die / Se a semente não morrer

Romênia/Sérvia/Áustria / 2010 / 115 min./ Drama – Direção: Sinisa Dragin

Norberto Apenas Tarde

Cena do filme "Norberto apenas à tarde

Argentina/Uruguai / 2010 / 89 min./ Comédia – Direção: Daniel Hendler

Oliver Sherman

Canadá / 2010 / 88 min./Drama/Terror/Guerra – Direção: Ryan Redford

Podslon / Shelter / Abrigo

Bulgária / 89 min. / 2010/ Comédia/ Drama – Direção: Dragomir Sholev

The mill and the cross / O redemoinho e a cruz

Suécia / Polônia /92 min. / 2011 / Drama/ História – Direção: Lech Majewski

Le vendeur / The salesman / O vendedor

Canadá / 2011 / 107 min / Drama – Direção: Sébastien Pilote

Püha Tõnu kiusamine / The Temptation of St. Tony / As Tentações de Santo Antônio

Estônia / Filândia / Suécia / 100 min. / 2009 – Direção: Veiko Õunpuu

Wenecja / Venice / Veneza

Polônia / 110 min. / 2010 – Direção: Jan Jakub Kolski

White as snow / Neve

Turquia / 2011 / 88 min. – Direção: Selim Gunes

CURTAS METRAGENS – COMPETIÇÃO OFICIAL (INTERNACIONAL)

 

8:05

Argentina / 2010 /16 min. – Direção: Diego M. Castro

Aleph

França / 2010  / 15 min. – Direção: Yakup Girpan

A ordem das coisas / El orden de las cosas

Espanha / 2010 / 19 min. – Direção: César Estaban e José Esteban

Tudo bem

Rússia / Espanha / 2010 / 13 min. – Direção: Manuel Xavier

O Potro / The Foal

Austrália / 9 min. / 2010 – Direção: Josh Tanner

 

O Banho de Micky – Bathing Micky

Dinamarca / 15 min. / 2010 – Direção: Frida Kempff

 

Rita

Espanha / 15 min. / 2010 – Direção: Fabio Grassadonia

The Magus 

EUA / 12 min. / 2011 – Direção: Jaimz Asmundson

Le Jouer de Citerne 

França /2010 /14 min. – Direção: Emmanuel Gorinstein

Colivia / A gaiola

Romênia / Holanda /2010 /17 min. – Direção: Adrian Sitaru

Narkis

Israel /2011 /10 min. – Direção: Noam Ellis

O Pregador / Preacher

Polônia /2009 /27:30 min. – Direção: Daan Van Baelen

A eternidade comecará está noite / Forever Gonna’s Start Tonight

EUA /2011 /16 min. – Direção: Eliza Hittman

Cartão postal / La carte

França /2010 /7`30 min. – Direção: Stefan Le Lay

Nothing personal 

Bulgária /2010 /15 min. – Direção: NF

Lavan

Israel /2010 /15 min – Direção: Noan Kaplan

 

Six easy pieces / Seis peças fáceis

EUA /2010 /10 min. – Direção: Reynold Reynolds

Sashenka

Israel /2010 /9 min. – Direção: Anna Gurevich

Smolarze / Charcoal Burners

Polônia /2010 /15 min. – Direção: Piotr Zlotorowicz

Wags /Wife and girlfriends /Mulheres e Namoradas

Alemanha /2009 /29 min. – Direção: Evi Goldbrunner

Pizzangrillo

Itália /2011 /15 min. – Direção: Marco Gianfreda

Protoparticulas

Espanha /2010 /7 min. – Direção: Chema Garcia Ibarra

Magia

França /6`35 min. /2010 – Direção: Gerard Cairaschi

 

Stanka vai para casa / Stanka goes home

Bulgária /15min. /2010 – Direção: Maya Vitkova

 

MOSTRA OLHAR CRÍTICO – COMPETIÇÃO OFICIAL

Totó

Itália /2009 /125 min. – Direção: Peter Schreiner

El ambulante

Argentina/2010/105 min. – Direção: Eduardo de la Serra, Lucas Marcheggiano e Adriana Yurcovich

El medico /Cubation Story

Cuba /2009 /105 min. – Direção: Daniel Fridell

 

Atomic and disco war

Estônia / Filândia /2009 /80 min. – Direção: Jaak Kilmi

Pit n. 8

Estônia / Ucrânia /2010 /95 min. – Direção: Marianna Kaat

Metrobranding

Romenia /2010 /92 min. – Direção: Ana Vlad, Adi Voicu

LONGA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA BRASIL

Além da estrada
Brasil/Uruguai – 90 min. – Direção: Charly Braun

Avenida Brasil Formosa
Documentário – 2010 – 84 min. – Direção: Gabriel Mascaro

A última estrada da praia
Ficção – 2010 – 93 min. – Direção: Fabiano de Souza

Os monstros
Ficção – 2011 – 81 min. – Direção: Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti

Os residentes
Ficção/Experimental – 2010 – 120 min. – Direção: Tiago Mata Machado

Terra Deu, Terra Come
Documentário – 2010 – 88 min. – Direção: Rodrigo Siqueira

CURTA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA BRASIL

O último retrato
Documentário – 2009 -15 min. – Direção: Abelardo de Carvalho

Avós
Ficção – 2010 – 12 min. – Direção:Michael Wahrmann

Caos
Ficção – 2010 – 15:40 min. – Direção:Fábio Baldo

Áurea
Documentário – 2009 – 12 min. – Direção: Zeca Ferreira

O som do tempo
Documentário – 2010 – 10 min. – Direção:Petrus Cariry

Mapa-mundi
Ficção – 2009 – 15 min. – Direção:Pedro Zimmermann

Uma noite em 68
Experimental – 2010 – 11:30 min. – Direção:Ionaldo Araujo

O contador de filmes
Documentário – 2010 – 15 min. – Direção:Ellinaldo Rodrigues

O trabalho final
Ficção – 2011 – 17 min. – Direção:Felipe Mendonça Moraes

Direita é a mão que você escreve
Ficção – 2009 – 15 min. – Direção:Paula Santos

A sutil circunstância
Ficção – 2011 – 10 min. – Direção:Matheus Rocha e Gabriela Amaral Almeida

Alguém tem que honrar essa derrota
Experimental – 2009 – 7:30 min. – Direção:Leonardo Esteves

Paragolétriko
Ficção – 2011 – 15 min. – Direção: NF

Tempestade
Animação – 2010 – 10 min. – Direção: Cesar Cabral

Meu medo
Animação – 2010 – 10:46 min. – Direção:Murilo Hauser

Carreto
Ficção – 2010 – 12 min. – Direção:Cláudio Marques e Marília Hughes

A dama do Peixoto
Documentário – 2010 – Direção: Douglas Soares e Allan Ribeiro -

Orquestra do som cego
Documentário – 2010 – 13 min. – Direção:Lucas Gervilla

Acercadacana
Documentário – 2010 – 20 min. – Direção:Felipe Peres Calheiros

Permanências
Documentário – 2010 – 30 min. – Direção:Ricardo Alves Junior

A vermelha luz do bandido
Documentário – 2009 – 16 min. – Direção:Pedro Jorge

Naiá e a lua
Ficção – 2010 – 13 min. – Direção:Leandro Tadashi

Traz um amigo também
Ficção – 2010 – 15 min. – Direção:Frederico Cabral

Aos pés
Ficção – 2010 – 18 min. – Direção:Zeca Brito

Mãos de outubro
Documentário – 2010 – 20 min. – Direção: Vitor Souza Lima

Um animal menor
Ficção – 2010 – 20 min. – Direção:Pedro Harres e Marcos Contreras

Onde você vai?
Ficção – 2010 – 15 min. – Direção:Victor Fisch

Doce de coco
Ficção – 2010 – 20 min. – Direção:Allan Deberton

Sobre os restos dos dias
Ficção – 2010 – 17 min. – Direção:Alexandre Baxter e Luiz Felipe Fernandes

Eu não quero voltar sozinho
Ficção – 2010 – 18 min. – Direção: Daniel Ribeiro

Superman para fãs

Escrever série de TV não deve ser das tarefas mais fáceis. Diferente da novela, que tem início, meio e fim mais ou menos definidos, as narrativas seriadas podem se estender por anos e anos, o que pode levar seus roteiristas a divagar demais e deixar os fãs das séries meio perdidos.

Foi mais ou menos o que aconteceu com Smallville – pelo menos no meu ponto de vista -, que começou com a proposta de mostrar a juventude do Superman, o herói mais famoso do mundo. O problema é que, com o passar dos anos, a série exibida pela Warner passou a mostrar casos de mutações por causa da kriptonita e outras atrocidades, além de fazer uma verdadeira miscelânea com aspectos muito próprios da história do Superman e quase sagrados para os fãs do herói criado por Jerry Siegell e Joe Shuster.

Era até aceitável que Lex e Clark tivessem se conhecido ainda na juventude, mas daí a incluir personagens que aparecem muito mais tarde na cronologia do homem de aço como Perry White, Jimmy Olsen e a própria Lois Lane foi um pouco demais. Isso sem falar nas aparições do vilão Zod e até de Supermoça e Supercão!

Mas, na minha humilde opinião, o maior crime que cometeram com a história do Superman foi a importância dada a Lana Lang na vida do jovem Clark. Tudo bem que sabemos que a garota de Smallville foi o primeiro enlace amoroso de Kar-El, mas daí a colocar essa paixonite como “um grande amor” foi um pouco demais!

Também foi bastante decepcionante ver um Jor-El transformado em um quase tirano, já que o pai de Kar-El sempre foi retratado como um homem justo. Impossível não lembrar, por exemplo, das palavras do pai kriptoniano de Clark no filme de 1978 de Richard Donner, interpretado com maestria por Marlon Brandon.

Críticas à parte, após anos sem acompanhar episódios de Smallville, ontem assisti ao final da série, após dez temporadas cheias de altos e baixos. E foi emocionante me reencontrar com o meu herói favorito desde que eu era uma garotinha meio esquisita de 10 anos de idade, leitora ávida de HQs e fã ardorosa da personificação do Superman por Christopher Reeve. Até hoje, para mim, o filme de Richard Donner ainda é a melhor adaptação do herói, seja para cinema ou televisão. Reeve fez todo mundo acreditar que um homem podia voar! Isso em 1978, quando eu ainda nem pensava em existir!

O último episódio de Smallville me fez voltar ao passado e reavivar o meu amor pelo Superman, por Lois e Clark e pelo Planeta Diário, de certa forma responsáveis por minha escolha profissional – por mais pueril que isso soe. A trilha de John Williams, executada de forma quase original, continua me causando arrepios de tão linda e perfeita; a Fortaleza da Solidão continua sendo um lugar mágico; a voz grave de Jor-El falando ao filho continua emocionante; o uniforme continua sendo clássico e os repórteres Lois e Clark continuam sendo o casal mais cativante do mundo.

Depois de passos errados, sempre é possível voltar e acertar a caminhada!

Apenas o fim

Cinema com cara de cinema! História simples, roteiro bem amarrado, poucos recursos técnicos, edição inteligente, atuações precisas, direção competente… Entre tantas produções cinematográficas que utilizam todos os tipos de artifícios, mas que, na realidade, não conseguem dizer a que vieram, o filme brasileiro “Apenas o fim” é a prova que cinema de verdade é fruto de uma boa idéia e de muita vontade. E só.

Idéia de uma mente fervilhante ainda em pleno processo de aprendizagem em uma Faculdade de Cinema do Rio de Janeiro e vontade de uma equipe enxuta, porém muito competente. O diretor e roteirista Matheus Sousa reuniu o seu time, ali mesmo nos prédios da Universidade que frequenta, para uma produção que ele julgou que, após finalizada, seria vista apenas por sua mãe. Ledo engano! Não apenas o filme chamou a atenção do público, como da crítica, conquistando os prêmios de Melhor Filme, segundo o Júri Popular, no Festival do Rio de 2009 e na 32ª Mostra de São Paulo, além de ter sido incluído nas seleções oficiais dos Festivais de Rotterdam e de Miami.

Antonio (Gregório Duvivier) e Adriana (Erika Mader) são estudantes de cinema e namorados há algum tempo. Um dia, sem muitas explicações, Adriana resolve dar novos rumos à sua vida e terminar com Antonio, com quem tem apenas uma hora antes de seguir em frente. Esta última hora juntos serve como um resgate do relacionamento dos jovens, com direito a flashbacks de alguns dos momentos mais marcantes das trivialidades que caracterizam a vida de qualquer casal.

Enquanto passeiam pela faculdade que testemunhou o início – e agora o fim – daquele relacionamento, Antonio tenta dissuadir Adriana da idéia de ir embora, até resignar-se com aqueles poucos momentos que ainda dispõem juntos. Assim, sem dramas, quase bem resolvidos, eles protagonizam diálogos divertidos e cativantes, que não cansam mesmo o espectador já tão acostumado a um cinema rebuscado – o que não significa de qualidade. Os cortes rápidos e as transições entre cenas do presente e do passado dos personagens garantem uma agilidade que muitos duvidariam ser possível em uma produção quase exclusivamente centrada em dois personagens. Aliás, os momentos em que interagem com alguns poucos coadjuvantes são perfeitamente dispensáveis, tamanho é o entrosamento entre os protagonistas da história.

Mais que uma comédia romântica, “Apenas o fim” também é o retrato de uma geração “sem grilos”, com todas as referências à cultura pop que lhes são caras, o que torna ainda mais interessante essa produção. Mais ainda: é a prova que o que torna um projeto cinematográfico bem-sucedido é muito mais criatividade e talento que financiamentos e tecnologia.

 

Ficha Técnica:

Título: Apenas o Fim

Ano: 2008
Direção: Matheus Souza

Elenco: Érika Mader, Gregório Duviver, Nathalia Dill, Álamo Facó, Julia Gorman, Marcelo Adnet, Anna Sophia Folch

Céu sem eternidade

Conhecida pelo longa-metragem “Narradores de Javé”, a cineasta Eliane Caffé se interessou pela situação das comunidades quilombolas do município de Alcântara e resolveu contar essa história por meio de um documentário. O diferencial do projeto foi a produção, realizada de forma coletiva a partir de uma oficina de audiovisual com a participação de jovens do Ponto de Cultura Comunica Alcântara, estudantes de Comunicação da UFMA e  moradores de três comunidades quilombolas do município -  Trajano, Mamuna e Peptal.

O resultado do projeto é o filme “Céu sem eternidade”, que poderá ser conferido nesta quarta-feira (01), às 19hs, no Cine Praia Grande, como parte da programação da II Semana de Audiovisual, que, por sua vez, integra a XI Semana Comunicação da UFMA. Após a exibição do filme, haverá um debate sobre os impactos sociais do Programa Aeroespacial Brasileiro em Alcântara.

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Poliana Ribeiro

Jornalista maranhense, especialista em Jornalismo Cultural pela Universidade Federal do Maranhão, cinéfila, apaixonada por música e literatura, escreve e apaga muitas vezes, mas continua escrevendo.

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