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A arte de ser leve

É engraçado como a gente transformar prazer em obrigação e acaba tirando a espontaneidade de um monte de coisas. Culpa dessa vida cada vez mais insana, mais corrida, com tempo contado para tudo, até para o lazer. Mas, ainda assim, dá para ter leveza na vida, mesmo com trânsito caótico, problemas familiares, grana curta ao fim do mês, estresse no trabalho, enfim!

É o que sugere a jornalista Leila Ferreira em seu livro “A arte de ser leve”. A sugestão, aliás, não é apenas dela, mas de todas as pessoas com as quais ela conversou seja em Araxá (Minas Gerais) ou na Holanda; de manicures a filósofos e estudiosos da Felicidade. Não se trata aqui de um livro de auto-ajuda, mas de uma compilação de histórias de pessoas bem-sucedidas na (ainda) difícil arte de descomplicar a vida.

Por meio dos depoimentos que colheu, a jornalista mostra que ser leve e feliz não tem a ver com ignorar os problemas da vida ou andar por aí com cara de bobo, sorrindo para tudo e para todos, mas de ter uma atitude positiva e dar o peso correto para as coisas. Sofrimento? Sim, ele existe e faz parte da vida até do mais abençoado dos mortais. Mas não quer dizer que precisa ser um fardo insustentavelmente pesado para todo o sempre. Tristeza? Todos em algum momento se deparam com ela, mas é exatamente no período em que se está imerso em sombras que se deve olhar para dentro e encontrar uma luz.

Nada de receita pronta ou fórmulas mágicas! “A arte de ser leve” é como uma boa conversa em um lugar agradável, com boas companhias. E para falar sobre leveza, Leila Ferreira escolheu o caminho mais leve e agradável, com breves capítulos, relatos que não se estendem mais do que o necessário, texto em primeira pessoa; uma boa leitura para uma agradável tarde de domingo, por exemplo.

As mães de Chico Xavier

A maternidade não começa quando o filho nasce; começa meses antes disso, quando aquele pequeno ser humano é apenas um borrãozinho em uma tela. A maternidade também não termina quando, por alguma fatalidade, aquele filho morre; prolonga-se muito mais que isso, até outras vidas, para quem assim acredita. As doze mães que perderam seus filhos no Massacre em Realengo, no Rio de Janeiro, por exemplo, continuam sendo mães, embora agora com cicatrizes para toda a vida. Cicatrizes que, para algumas mulheres na mesma situação, tornaram-se menos dolorosas graças à existência do médium Chico Xavier.

Encerrando as comemorações do centenário de nascimento do maior médium do Brasil, o filme As mães de Chico Xavier – produzido pela Estação Luz Filmes e dirigido por Glauber Filho e Halder Gomes – fecha uma espécie de trilogia espírita, provando que esse é um nicho que tem grande empatia popular e, por isso, precisa ser mais explorado. Vale ressaltar que, apesar de ter um foco mais direcionado nos seguidores ou simpatizantes da Doutrina Espírita, produções como Chico Xavier, Nosso Lar e As mães de Chico Xavier também têm forte apelo junto a espectadores que procuram as salas de cinema em busca de histórias que ressaltam valores como amor ao próximo, perdão e caridade.

Embora não seja uma produção tão caprichada quanto Chico Xavier – mas ainda assim melhor dirigida que Nosso Lar -, As mães de Chico Xavier é a obra fílmica que retrata com mais exatidão a missão do médium em vida. Enquanto a primeira produção acompanha o desenvolvimento de sua mediunidade, a repercussão que causou até chegar à sua notoriedade, esta terceira produção retrata Chico Xavier como ele gostava de ser visto: apenas um instrumento a serviço de um bem maior.

O filme centra-se na história de três mulheres em momentos distintos da maternidade: Ruth (Via Negromonte) é mãe de Raul, um rapaz que enfrenta problemas com as drogas; Elisa (Vanessa Gerbelli) é mãe do pequeno Théo, de apenas 4 anos; e Lara (Tainá Müller) descobre-se grávida do namorado e cogita a possibilidade de fazer um aborto. Em comum, episódios trágicos que levam essas mulheres a se juntar a tantas outras que buscam conforto nas cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier.

A história de mães que perderam seus filhos e, tempos depois, conseguiram receber comunicações do plano espiritual é contada pelo jornalista Karl (Caio Blat), que passa da incredulidade à emoção ao entrar em contato com esses relatos. Ele funciona também como uma espécie de elo entre o médium, Lara e Ruth.

É claro que As mães de Chico Xavier tem seus altos e baixos, algumas pontas soltas e, em alguns momentos, uma certa falta de ritmo, mas, no geral, o filme atinge seus objetivos: emociona e leva à reflexão. Nos créditos finais, por exemplo, é difícil ficar indiferente à dedicatória a todas as crianças vítimas de aborto provocado, ainda mais depois de acompanhar histórias de mães que dariam tudo para não terem perdido seus filhos.

A maternidade é antes de tudo uma oportunidade de amar sem medidas, da forma mais sublime e inexplicável que Deus criou, com todas as dores e sabores que esta experiência proporciona. Amar uma criaturinha ainda sem rosto ou nome, mas que, em breve, será mais importante que tudo.

“Do ventre nasce um novo coração”

Dedico este texto a(o) meu (minha) filho (a) que já é tudo pra mim

I Black Music Sensation

As tribos do hip hop, do rap, do samba e todos que estão em busca da “batida perfeita” se encontram no dia 20 de abril, a partir das 21h, no Trapiche Espaço Musical (Ponta D’Areia), no I Black Music Sensations. A grande atração da noite é o cantor Marcelo D2, que traz a São Luís o show do seu projeto “A arte do barulho”, com a sua já conhecida mistura de black music e samba. No palco, D2 terá a companhia do DJ Nuts (SP) e de Fernandinho Beat Box, parceiros habituais do cantor.

No set list da apresentação na capital maranhense não faltarão hits de álbuns anteriores da carreira de Marcelo D2, como “Qual é?”, “Vai vendo”, “À Procura da Batida Perfeita”, “Contexto”, “Mantenha o respeito”, além de canções que integram o álbum de 2008 que dá nome ao show, como “Desabafo”, “Pode Acreditar”, “Ela disse”, entre outras.

Carreira – Ex-integrante do grupo Planet Hemp, Marcelo D2 iniciou em 1997 uma bem sucedida carreira solo, com o lançamento do disco Eu tiro é onda. Em 2003, D2 lançou o seu elogiado álbum À procura da batida perfeita, que inclui os sucessos “A maldição do samba”, “Qual é?” e “Lodeando”, a primeira parceria com o filho Stefan.

O amor do rapper pelo samba foi declarado com o lançamento do CD Meu samba é assim, de 2006, que teve as participações dos sambistas Alcione e Zeca Pagodinho. As homenagens ao ritmo continuaram no ano passado, com o lançamento do disco Marcelo D2 canta Bezerra da Silva, um tributo a um dos maiores ídolos do cantor carioca.

Conhecido pelas parcerias consolidadas, no show “A Arte do Barulho” Marcelo D2 conta com duas participações de peso: DJ Nuts e Fernandinho Beat Box. O DJ paulista Nuts é um dos principais representantes do gênero turntablist, um dos pilares do hip hop, caracterizado como a arte de misturar sons e criar músicas. Já o paulistano Fernandinho Beat Box é um dos principais expoentes da arte de criar sons de bateria, grooves de gravações, scratches e outros efeitos de DJs utilizando apenas a boca.

I Black Music Sensations – Com o slogan “Sinta também essa sensação”, o maior evento de Black Music de São Luís vai reunir três vertentes da música: Black, Eletronic e Roots Music. No ambiente piratório, o público confere o melhor do samba, rock, hip hop e reggae roots com os Djs Pedro Sobrinho, Dymytryus e Ksyfux (Projeto Stomp), Nega Glícia e Orquestra Invisível.

O palco principal terá o show da banda maranhense Neura, responsável por abrir os grandes shows da noite: “A arte do Barulho” e o “Baile do D2”, comandados pelo cantor Marcelo D2. O I Black Music Sensations é uma produção Lima Dias Turismo e Eventos e Pororoca Auera Auara.

Lima Dias Turismo e Eventos – A trajetória da Lima Dias Turismo e Eventos na área das grandes produções musicais começou em setembro de 2010, com a realização do show “Bons Ventos sempre Chegam”, da cantora Luiza Possi, que lotou o Teatro Artur Azevedo.

Ainda no ano passado, no dia 27 de novembro, a cena alternativa de São Luís foi movimentada com o I Mulambo Festival, no Circo da Cidade, que trouxe pela primeira vez à capital maranhense a banda pernambucana Mombojó. Mais recentemente, no dia 12 de fevereiro, o público da cidade pôde conferir a apresentação da turnê “Trobar Nova”, da cantora Adriana Calcanhoto, no Ginásio do Colégio Upaon Açu.

 

Serviço:

I Black Music Sensations – Black, Eletronic e Roots Music

Atrações

Palco Principal:

Marcelo D2

Abertura: Banda Neura

 

Piratório:

Dj Pedro Sobrinho

Projeto Stomp com os Dj’s Dymytryus e Ksyfux

Dj Nega Glícia e Orquestra Invisível

 

Data: 20 de abril (véspera de feriado)

Horário: 21h

Local: Novo Trapiche (Ponta d’Areia)

Ingressos (primeiro lote): R$ 35,00 (pista) e R$ 60,00 (camarote)

Pontos de Venda: Lojas Bunny’s e Obvio (a partir do dia 23/03)

Informações: 3221-3364 ou www.limadias.com.br

Produção: Lima Dias Turismo e Eventos e Pororoca Auera Auara

Um homem chamado José

Há alguns meses, escrevi um texto falando sobre o meu avô, Luiz Gonzaga Abreu Sobrinho – pai do meu pai – que faleceu há uns três anos. Tive pouco contato com ele, mas soube que, na sua trajetória de vida, existiu um capítulo dedicado ao jornalismo, assim como acontece na minha.

Dois meses atrás, perdi meu outro avô, José João Ribeiro – pai da minha mãe. Esse eu conheci bem, pois morei em sua casa desde muito pequena. Mas, diferente do meu avô caxiense, ex-político e amante das palavras, meu avô José era analfabeto, nunca aprendeu sequer a escrever seu próprio nome.

José era um homem simples que nasceu na Maioba, em 1914, mas adotou o povoado de Iguaíba, em Paço do Lumiar, como morada. Na juventude, segundo fiquei sabendo, chegou a ser goleiro do time local. No mais, era um homem do campo, acostumado à vida próxima da natureza. Minha avó Edite (também já falecida) contava que, quando seu pai – o “temido” Raimundo Gordo – a obrigou a casar com meu avô, ela não gostou muito da idéia, mas, aos poucos, os dois acabaram se entendendo.

Foram mais de 50 anos de um casamento sólido como rocha, que superou adversidades e gerou cinco filhos. A vontade de vê-los com mais chances na vida do que tiveram trouxe meus avós para a cidade, mas nunca os afastou completamente do sitio em Iguaíba. Meu avô trabalhava na Secretaria de Fazenda do Estado – descarregando mercadoria no porto – enquanto minha avó costurava. A venda das frutas do sítio complementava a renda.

E assim eles colocaram os cinco filhos para estudar e viram todos trilhar seus próprios caminhos, sem nunca terem deixado de espiar de longe como cada um se saía e ajudar sempre que fosse necessário. Quando todos já estavam adultos e tinham constituído suas próprias famílias, eles voltaram a cuidar mais de perto de seus bichos e de suas plantas no sítio.

Meu avô tocava pandeirão no bumba-meu-boi de Iguaíba, enquanto minha avó reclamava quando ele exagerava na bebida. Os dois não se desgrudavam um minuto sequer e ele sempre fazia o que ela mandava. Quando ela partiu (em 2002), ele nunca deixou de perguntar por ela. Cantava quase todos os dias uns versos de uma música – acho que era uma toada de boi, mas nunca tive certeza – acrescentando o nome da minha avó ao final: “…a roda de samba me chama, Edite, Edite, Edite, eu não vou te esperar”. Era mais ou menos isso. Depois que ela se foi, ele nunca mais foi o mesmo.

O jeito rude do meu avô, que não permitia, por exemplo, que criança falasse enquanto os adultos conversavam – coisa de gente antiga -, acabou me afastando dele. Morávamos juntos, mas nunca tivemos uma relação muito afetuosa. Ele implicava comigo e eu nunca entendi o porquê. Isso acabou criando em mim uma certa mágoa, pois tudo o que eu queria era um avô aos moldes tradicionais – daqueles que fazem todos os gostos dos netos.

Lembro dele, sentado na porta, pernas cruzadas, um palito de fósforo entre os lábios e os dedos polegares fazendo círculos no ar. É essa imagem que tenho dele na mente. Lamento que não tenhamos sido mais próximos, mas sinto alívio por tê-lo visto um dia antes de partir. O fato de não gostar de hospitais me impedia de visitá-lo quando ele estava internado. Depois de quase quinze dias, finalmente eu entrei na UTI. Não contive as lágrimas ao vê-lo daquele jeito – preferia a imagem dele sentado na porta. Um dia depois ele se foi. Mas o importante é que nós conseguimos nos perdoar e eu hoje posso dizer que sinto orgulho do meu avô, que não foi perfeito, mas foi o que tive: um homem simples, chamado José.

*Texto publicado na página de Opinião do Jornal O Estado do Maranhão em janeiro de 2009

Maria Antonieta

O marketing é um ingrediente poderoso na hora de produzir um sucesso ou um fracasso no cinema. Não que ele por si só determine os filmes que agradarão ao público e os que se transformarão em decepções retumbantes, mas é impossível desconsiderar esse aspecto, bastante relevante, principalmente quando se fala em indústria hollywoodiana. Além de grandes investimentos em publicidade, também é preciso “vender” bem a história do filme, torná-la atrativa para o público.

E as principais estratégias para fazer o espectador “comprar” o filme – mesmo que se arrependa depois – são os trailers e as sinopses. Esses dois elementos condensam a história, pinçando os elementos mais interessantes da trama e despertando a curiosidade do público.

É o que acontece com Maria Antonieta, dirigido por Sophia Coppola e estrelado por Kirsten Dunst. Todo material de divulgação da produção vende a história de uma monarca que revolucionou a França com seu comportamento incomum; uma produção de época com requintes de cultura pop, inclusive com uma trilha sonora bastante inusitada. E, desde os primeiros minutos do filme, é isso que se espera dessa história. Mas não é o que se vê.

Maria Antonieta, herdeira do trono austríaco, é obrigada a se casar com Luís XVI, filho do rei da França, Luís XIV, em um tradicional acordo entre os dois reinos. Seguindo a tradição, ela é obrigada a deixar para trás qualquer resquício de sua pátria para assumir uma identidade francesa. Cercada por empregados e rígidas regras de comportamento, Maria Antonieta precisa se enquadrar nesse frio cotidiano, que inclui ainda a distância do marido, que parece não ter nenhum interesse sexual por ela. Isso aumenta a preocupação de sua mãe, já que o acordo só será confirmado, de fato, com o nascimento de um filho franco-austríaco.

A primeira parte do filme mostra exatamente as tentativas frustradas de Maria Antonieta de conquistar o marido e toda rotina monótona dos monarcas, o que causa uma grande expectativa no público, que aguarda ansioso o momento da “virada de mesa”. Mas ele parece nunca chegar ou acontece de forma tão tímida que fica aquém do que era esperado.

A intenção da diretora Sophia Coppola foi, de certa forma, criticar o comportamento daquela nobreza, que nem ao menos percebia a gradativa tomada do poder pelos burgueses. E era Maria Antonieta, com sua preocupação apenas por futilidades, quem melhor poderia ilustrar isso. Mas, embora tenha tido uma idéia interessante, a diretora não fez as melhores escolhas, e a concepção do filme poderia ter sido melhor.

A “revolução” de costumes causada por essa personagem histórica, na visão de Sophia Coppola, reduz-se tão somente a algumas festas organizadas graças à influência de sua amiga condessa e de um caso extraconjugal – de certa forma justificado pelo distanciamento do marido. E só. No mais, Maria Antonieta é um filme chato, sem grandes viradas, como aquelas propagandas de comida: sempre mais apetitosa que a servida em nossos pratos.

Ficha Técnica:

Título original: Maria Antonieta

Gênero: Drama

Origem: EUA

Ano: 2007

Direção: Sophia Coppola

Duração: 124 min

Indicados ao Oscar 2011 – Opiniões e apostas

Falta de tempo e problemas de saúde me impediram de escrever mais minuciosamente sobre alguns outros indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano – nos posts anteriores você pode conferir resenhas sobre O Vencedor e O Discurso do Rei. Por isso, para não passar em branco já que o Oscar 2011 é no domingo, aqui vão as minhas impressões sobre alguns outros filmes que tive a oportunidade de assistir.

O Inverno da Alma

Dirigido por Debra Granik e protagonizado por Jennifer Lawrence – indicada ao Oscar de Melhor Atriz -, Inverno da Alma talvez seja o mais obscuro dos filmes concorrentes este ano, além de provavelmente ser o que utilizou menos recursos em sua produção. Nem por isso o longa-metragem tem menos valor. Ree Dolly (Jennifer Lawrence) é uma jovem de 17 anos que, além de cuidar da mãe doente e dos irmãos pequenos, ainda precisa encontrar o pai – vivo ou morto – sob o risco de perder a casa onde mora. Nessa jornada, ela encontra vários inimigos do pai e poucos aliados. Mas, apesar das dificuldades e do grande peso que carrega sob os ombros, a jovem não fraqueja nunca, embora também quase não consiga sorrir. A interpretação segura de Jennifer Lawrence poderia lhe render uma estatueta de Melhor Atriz, se não estivessem em seu caminho as favoritas Natalie Portman e Annette Bening. Além de Melhor Filme e Melhor Atriz, Inverno da Alma concorre ainda ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante para John Hawkes, mas não deve levar nenhuma estatueta pra casa.

A Rede Social

Não dá pra entender porque fizeram tanto alarde em relação ao filme A Rede Social. Tudo bem que o longa-metragem conta uma história bastante atual – quem é que nos dias de hoje não tem uma conta no Facebook? -, tem uma direção competente de David Fincher, bons atores, mas, diante de outras produções, lembra um pouco os filmes sobre hackers que já cansamos de assistir na Sessão da Tarde. O maior mérito de A Rede Social talvez seja a forma como a história do analista de sistemas Mark Zuckerberg – que após levar um fora da namorada resolve criar um site de relacionamentos – foi contada: entre idas e vindas no tempo, partindo dos vários julgamentos ao qual o jovem nerd foi submetido após a criação do site que lhe deixou milionário. Mark Zuckerberg é retratado como uma mente genial, mas completamente amoral, capaz de roubar idéias alheias e passar para trás até mesmo o melhor amigo. Ainda assim, consegue ser uma personalidade admirada inclusive por Sean Parker (Justin Timberlake), criador do site de download de músicas Napster. A Rede Social é um bom filme. Mas só isso.

Cisne Negro

De todos os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano, Cisne Negro é certamente o mais perturbador. A história da jovem bailarina Nina (Natalie Portman), que trava uma verdadeira batalha interna para atingir a perfeição e conseguir o papel principal na montagem de Lago dos Cisnes, deixa o espectador inquieto por diversos momentos. Primeiro porque, em geral, o universo do balé tem uma delicadeza que parece impossível de ser maculada, o que acontece de forma bastante original neste filme de Darren Aronofsky. Além disso, a relação mais íntima entre Nina e outra bailarina da companhia também pode chocar os mais conservadores. Os pontos altos dos filmes são os encontros de Nina com seu lado mais obscuro. Alguma dúvida de que Natalie Portman deve voltar para casa com uma estatueta reluzente nas mãos?

Minhas apostas

O Oscar é sempre imprevisível, embora algumas pistas sejam deixadas ao longo do caminho, o que sempre facilita os palpites. O problema é que nunca se sabe o que passa na cabeça dos velhinhos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e, por isso, às vezes a premiação surpreende – positiva ou negativamente. Mas vamos aos meus palpites nas principais categorias:

Melhor Filme – A minha torcida é para O Discurso do Rei, porque, apesar de considerado por muitos críticos como um filme “certinho” demais, propõe um debate interessantíssimo sobre o poder da palavra. E fora que tem o Colin Firth! Mas acho mesmo que quem leva este ano é Cisne Negro, o que me deixaria feliz também, pois o filme é genial.

Melhor Diretor – Nessa categoria Darren Aronofsky deve sair vencedor pelo seu trabalho em Cisne Negro, embora eu tenha minhas suspeitas de que David Fincher, de A Rede Social, pode me surpreender.

Melhor Ator – Tenho quase certeza absoluta que Colin Firth leva a estatueta de Melhor Ator por O Discurso do Rei e será muito merecido, embora Jeff Bridges, de Bravura Indômita, seja sempre uma ameaça em potencial. Mas, como ele levou no ano passado, e a Academia não costuma ser tão repetitiva, acho que este ano é do Colin mesmo.

Melhor Atriz – Essa é outra categoria em que eu – e quase todo mundo – tenho quase 100% de certeza de que vou acertar. É muito difícil que Natalie Portman não leve a estatueta por sua interpretação em Cisne Negro, apesar de muitos acreditarem que Annette Bening pode surpreender.

Melhor Ator Coadjuvante – Também é quase impossível Christian Bale, de O Vencedor, perder a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante para os seus concorrentes. Ainda assim, também ficaria feliz se Geoffrey Rush saísse vitorioso.

Melhor Atriz Coadjuvante – Essa é uma categoria ainda um pouco enigmática pra mim. Mas a minha torcida vai mesmo para a Helena Bonham Carter, de O Discurso do Rei.

Melhor Roteiro Original – Como o espaço aqui é para os meus palpites – e a minha torcida, claro! -, aposto em O Discurso do Rei como vencedor.

Melhor Roteiro Adaptado – Mesmo sem ter a minha torcida, creio que A Rede Social deve levar esse prêmio. Mas queria muito que Inverno da Alma levasse pelo menos esse prêmio.

Melhor Animação – Infelizmente, não assisti a nenhuma das animações concorrentes, mas acho difícil Toy Story 3 não levar essa estatueta.

Melhor Fotografia – Creio que Cisne Negro deve levar mais este prêmio para casa, pois, entre os concorrentes, tem a fotografia mais original.

Melhor Documentário (Longa-metragem) – Não assisti a nenhum dos concorrentes, mas, claro, como qualquer brasileira, minha torcida fica para Lixo Extraordinário.

Drops do dia

- O grande acontecimento musical neste dia 23 de fevereiro de 2011 foi a divulgação do primeiro single do CD Wasting Light do Foo Fighters. Rope pôde ser ouvida pelos fãs no site oficial da banda logo nas primeiras horas da manhã. A música chegará às rádios a partir do dia 1º de março e o novo CD do Foo estará nas lojas a partir do dia 12 de abril. Na terça-feira (22/02), começaram a surgir rumores de que a banda norte-americana se apresentaria no Brasil neste ano. Segundo o site FooFightersbr.com, os show seriam em outubro ou novembro, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.  Agora é só aguardar!

- Para quem está ansioso por mais informações sobre o Rock in Rio, a produção do evento divulgou nesta quarta-feira (23/02) a programação do palco Sunset, que tem uma proposta de deixar os artistas livres para experimentar coisas novas. Entre as principais atrações estão Jorge Drexler, Bebel Gilberto, Zeca Baleiro, Tom Zé, Ed Motta, entre outros. Confira a programação completa.

- Acontece nesta quarta-feira a abertura do I Festival Maranhense de Animação, o Maranime. O Festival é uma iniciativa do Instituto Formação, que realiza oficinas de animação voltada para jovens de municípios da Baixada maranhense. Na programação, serão realizadas mostras competitivas, oficinas e apresentações culturais. O Maranime também é uma boa oportunidade de conhecer o trabalho desenvolvido pelos jovens atendidos pelo Instituto Formação e de conferir produções de outros estados do país. O I Festival Maranhense de Animação acontece até sábado, no Cine Ímpar, na sede do Jornal O Imparcial, no Renascença.

Novidades sobre o novo CD do Foo Fighters

Wasting Light é o nome do novo CD do Foo Fighters, que será lançado no dia 12 de abril nos Estados Unidos. A informação foi divulgada no site Foofightersbr.com. Também foi divulgado o nome do primeiro single que vai tocar nas rádios, a partir do dia primeiro de março: o nome da música é Rope.

Alguns fãs da banda já tiveram o privilégio de conferir performances ao vivo das novas canções da banda, em apresentações surpresa nos Estados Unidos. E como nos dias de hoje a tecnologia contribui para que nada fique mais em segredo, vídeos dos shows foram disponibilizados no You Tube, para alegria de outros tantos fãs ao redor do mundo. O que já dá pra dizer desse novo trabalho de Dave Grohl, Taylor Hawkins, Nate Mendel e Chris Shiflett é que a sonoridade é mais crua, pois a idéia da banda foi exatamente não utilizar tantos aparatos tecnológicos no processo de pós-produção.

Segundo Dave Grohl, o que os músicos buscavam era um som o mais próximo do original, de quando estão no palco. Rock em essência! Para isso, as gravações foram feitas na própria garagem de Dave, em fita de 24 canais e sem o uso de computadores.  A produção ficou a cargo de Butch Vig, que produziu o disco Nevermind, do Nirvana, portanto, um velho conhecido de Dave. Outros amigos das antigas que foram integrados ao projeto foram o baixista Krist Novoselic – ex-Nirvana – e o guitarrista Pat Smear, que fez parte da formação original do Foo Fighters e, a partir deste projeto, retorna à banda.

Wasting Light é um retorno às origens do Foo Fighters; um som mais vigoroso e que deve agradar aos fãs de rock. O que é mais empolgante neste novo trabalho é que ele é o resultado de algo cada vez mais raro no meio musical nos dias de hoje: a vontade de fazer música de verdade, fruto do desejo e não uma estratégia mercadológica. A autenticidade de um trabalho é percebida quando ela decorre de um movimento espontâneo, natural, e não de uma ânsia por ter hits tocando nas rádios e um CD novo por ano. Por isso o Foo Fighters demorou quatro anos para lançar um álbum de inéditas: para fazer isso no momento certo, da maneira mais verdadeira possível.

Pelo que se sabe, Wasting Light será composto por 11 faixas: Bridge Burning, Rope, Dear Rosemary, White Limo, Arlandria, These Days, Back & Forth, A Matter Of Time, Miss The Misery, I Should Have Known e Walk. Outra novidade será o lançamento também de um documentário sobre a trajetória de 16 anos do Foo Fighters, além dos bastidores da gravação do novo CD. Tudo isso deve ser reunido em uma edição de luxo que se espera que chegue ao Brasil.

Por enquanto, dá pra curtir o videoclipe da música White Limo, uma das mais pesadas do disco, feito de forma bastante artesanal e que não nega a vocação do Foo Fighters para a comicidade.

Indicados ao Oscar 2011 – O Vencedor

Filmes sobre boxeadores não são grandes novidades, mas, em geral, rendem roteiros interessantes. Baseados em histórias reais ou não, até mesmo quem não é muito fã do esporte acaba gostando do enredo. E o ingrediente primordial para que esse tipo de filme caia no gosto do expectador é a superação. Os lutadores de boxe retratados no cinema, via de regra, são batalhadores, homens – ou mulheres, no caso de Menina de Ouro, por exemplo – que superam as dificuldades no ringue e fora dele, personificando uma espécie de herói.

O Vencedor, dirigido por David O. Russel, segue essa mesma fórmula e, por isso, deve agradar ao público. Mas, apesar disso, o longa-metragem, indicado ao Oscar 2011 em sete categorias, não deve levar muitas estatuetas para casa. Mas bem que será bastante merecido se Christian Bale ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, pela interpretação do ex-boxeador viciado em crack Dicky Ecklund. Para o papel, Bale teve que emagrecer cerca de 20 quilos e nem de longe lembra o vigor físico do Batman.

A atuação marcante de Christian Bale deixou ainda mais inexpressiva a presença de Mark Wahlberg, que interpreta o jovem boxeador Micky Eklund, irmão de Dicky. Quando contracenam juntos – o que acontece na maior parte do filme -, a diferença entre os dois atores fica ainda mais evidente, embora o esforço de Wahlberg para se sair bem seja visível e até louvável.

Dicky e Micky são dois irmãos unidos pelo boxe. O mais velho, Dicky, teve a sua chance no esporte, mas, apesar de um relativo sucesso, acabou sendo vencido pelo vício das drogas. É com ele que a história se inicia, de forma bastante metalingüística: Dicky narra fatos de sua vida para um filme que estão fazendo sobre sua vida. Na realidade, o filme pretende retratar o poder devastador das drogas, mas Dicky, que parece viver em um mundo à parte, não se dá conta disso.

Já o jovem Micky tenta seguir os passos do irmão no boxe, tendo-o como mentor. O problema é que, apesar de visivelmente devastado pelas drogas, Dicky continua sendo o centro das atenções da numerosa família, enquanto Micky é apenas a sua sombra, embora seja o lutador em atividade. Aliás, a família dos irmãos boxeadores é um capítulo à parte. A mãe Alice (Melissa Leo) é uma empresária controladora que não consegue mudar os rumos da carreira do filho Micky; o pai, George (Jack McGee), embora com uma visão mais realista, não consegue se desvencilhar muito do domínio da esposa; e as irmãs – sete no total – parecem todas saídas de um filme B dos anos 80.

É a presença de Charlene (Amy Adams) na vida de Micky que deixa mais evidente como o jovem boxeador destoa desse contexto familiar. A garçonete começa a mostrar a Micky que o grande entrava na carreira do lutador é a sua família, o que causa divergências e coloca Micky no meio de um fogo cruzado.

O Vencedor – baseado em uma história real – tem vários ingredientes para ser considerado um bom filme, mas nada além disso: drama, conflitos familiares, algumas doses de humor, cenas no ringue à La Rocky Balboa e uma bela lição no final. Isso sem falar em mais uma interpretação inesquecível de Christian Bale. É o filme certinho, bom de ser assistido, mas que, certamente, será esquecido no instante seguinte.

Adriana Calcanhoto em “Trobar Nova”

Lembro a primeira vez que me detive mais atentamente a uma interpretação de Adriana Calcanhoto. Apesar de já ter ouvido – e gostado – de “Naquela estação”, do primeiro CD da cantora, Enguiço (1991) -, foi apenas quando ouvi os versos de Inverno, três anos mais tarde, que passei a ter um olhar mais demorado sobre a obra daquela festejada nova voz da MPB. “No dia em que fui mais feliz/ eu vi um avião/ se espelhar no seu olhar até sumir”. E como sou feliz quando olho aviões! É uma cena comum, simples, mas sempre me faz pensar que se um troço imenso daqueles consegue rasgar os céus com tanta leveza – pelo menos aparentemente – qualquer coisa é possível.

E assim como um avião é um objeto paradoxalmente leve e pesado, a voz de Adriana Calcanhoto tem uma força delicada que passei a conhecer e admirar. Ouvindo Mentiras, Esquadros, Metade, Mais feliz, Maresia, Vambora, Uns versos e muitas outras, passei a concordar com todos os elogios rasgados e merecidos que foram direcionados a ela desde o seu surgimento, meio tímido, quase receoso, como é de sua personalidade. O mais interessante na figura de Adriana Calcanhoto é que ela é daquelas (cada vez mais) raras aparições autênticas na MPB, em um cenário dominado cada vez mais por fakes.

A voz é limpa, sem firulas, com força e suavidade; a interpretação é sem exageros; a seleção musical e as composições são espontâneas, sem perder a genialidade. Tudo em Adriana Calcanhoto soa a autenticidade. Cada projeto parece vir, de fato, de sua verve artística, do seu anseio de ter algo a dizer, uma mensagem clara a passar, como o seu “Adriana Partimpim”, direcionado ao público infantil, sempre meio deixado de lado. Só ela para cantar Claudinho e Buchecha sem que os politicamente-corretos-musicalmente-falando não ficassem criticando!

E para quem pensa que Adriana Calcanhoto some de vez em quando, de fato, ela só se mostra quando lhe convém. É o seu jeito. E, convenhamos, ela pode! Para quem (como eu) nunca teve a oportunidade de assistir a uma apresentação da gaúcha quase mineira – foram 11 anos sem vir ao Maranhão – a chance chegou a São Luís com a turnê Trobar Nova, apresentada aos maranhenses neste sábado (12/02), no Ginásio do Colégio Upaon-Açu, em mais uma produção da Casa Nova Produções e da Lima Dias Turismo e Eventos. Chance rara, já que a turnê foi pensada para percorrer a Europa, e em todo o Nordeste só esteve na Bahia e agora no Maranhão.

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Poliana Ribeiro

Jornalista maranhense, especialista em Jornalismo Cultural pela Universidade Federal do Maranhão, cinéfila, apaixonada por música e literatura, escreve e apaga muitas vezes, mas continua escrevendo.

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