Falta de tempo e problemas de saúde me impediram de escrever mais minuciosamente sobre alguns outros indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano – nos posts anteriores você pode conferir resenhas sobre O Vencedor e O Discurso do Rei. Por isso, para não passar em branco já que o Oscar 2011 é no domingo, aqui vão as minhas impressões sobre alguns outros filmes que tive a oportunidade de assistir.

O Inverno da Alma
Dirigido por Debra Granik e protagonizado por Jennifer Lawrence – indicada ao Oscar de Melhor Atriz -, Inverno da Alma talvez seja o mais obscuro dos filmes concorrentes este ano, além de provavelmente ser o que utilizou menos recursos em sua produção. Nem por isso o longa-metragem tem menos valor. Ree Dolly (Jennifer Lawrence) é uma jovem de 17 anos que, além de cuidar da mãe doente e dos irmãos pequenos, ainda precisa encontrar o pai – vivo ou morto – sob o risco de perder a casa onde mora. Nessa jornada, ela encontra vários inimigos do pai e poucos aliados. Mas, apesar das dificuldades e do grande peso que carrega sob os ombros, a jovem não fraqueja nunca, embora também quase não consiga sorrir. A interpretação segura de Jennifer Lawrence poderia lhe render uma estatueta de Melhor Atriz, se não estivessem em seu caminho as favoritas Natalie Portman e Annette Bening. Além de Melhor Filme e Melhor Atriz, Inverno da Alma concorre ainda ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante para John Hawkes, mas não deve levar nenhuma estatueta pra casa.

A Rede Social
Não dá pra entender porque fizeram tanto alarde em relação ao filme A Rede Social. Tudo bem que o longa-metragem conta uma história bastante atual – quem é que nos dias de hoje não tem uma conta no Facebook? -, tem uma direção competente de David Fincher, bons atores, mas, diante de outras produções, lembra um pouco os filmes sobre hackers que já cansamos de assistir na Sessão da Tarde. O maior mérito de A Rede Social talvez seja a forma como a história do analista de sistemas Mark Zuckerberg – que após levar um fora da namorada resolve criar um site de relacionamentos – foi contada: entre idas e vindas no tempo, partindo dos vários julgamentos ao qual o jovem nerd foi submetido após a criação do site que lhe deixou milionário. Mark Zuckerberg é retratado como uma mente genial, mas completamente amoral, capaz de roubar idéias alheias e passar para trás até mesmo o melhor amigo. Ainda assim, consegue ser uma personalidade admirada inclusive por Sean Parker (Justin Timberlake), criador do site de download de músicas Napster. A Rede Social é um bom filme. Mas só isso.

Cisne Negro
De todos os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano, Cisne Negro é certamente o mais perturbador. A história da jovem bailarina Nina (Natalie Portman), que trava uma verdadeira batalha interna para atingir a perfeição e conseguir o papel principal na montagem de Lago dos Cisnes, deixa o espectador inquieto por diversos momentos. Primeiro porque, em geral, o universo do balé tem uma delicadeza que parece impossível de ser maculada, o que acontece de forma bastante original neste filme de Darren Aronofsky. Além disso, a relação mais íntima entre Nina e outra bailarina da companhia também pode chocar os mais conservadores. Os pontos altos dos filmes são os encontros de Nina com seu lado mais obscuro. Alguma dúvida de que Natalie Portman deve voltar para casa com uma estatueta reluzente nas mãos?
Minhas apostas
O Oscar é sempre imprevisível, embora algumas pistas sejam deixadas ao longo do caminho, o que sempre facilita os palpites. O problema é que nunca se sabe o que passa na cabeça dos velhinhos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e, por isso, às vezes a premiação surpreende – positiva ou negativamente. Mas vamos aos meus palpites nas principais categorias:
Melhor Filme – A minha torcida é para O Discurso do Rei, porque, apesar de considerado por muitos críticos como um filme “certinho” demais, propõe um debate interessantíssimo sobre o poder da palavra. E fora que tem o Colin Firth! Mas acho mesmo que quem leva este ano é Cisne Negro, o que me deixaria feliz também, pois o filme é genial.
Melhor Diretor – Nessa categoria Darren Aronofsky deve sair vencedor pelo seu trabalho em Cisne Negro, embora eu tenha minhas suspeitas de que David Fincher, de A Rede Social, pode me surpreender.
Melhor Ator – Tenho quase certeza absoluta que Colin Firth leva a estatueta de Melhor Ator por O Discurso do Rei e será muito merecido, embora Jeff Bridges, de Bravura Indômita, seja sempre uma ameaça em potencial. Mas, como ele levou no ano passado, e a Academia não costuma ser tão repetitiva, acho que este ano é do Colin mesmo.
Melhor Atriz – Essa é outra categoria em que eu – e quase todo mundo – tenho quase 100% de certeza de que vou acertar. É muito difícil que Natalie Portman não leve a estatueta por sua interpretação em Cisne Negro, apesar de muitos acreditarem que Annette Bening pode surpreender.
Melhor Ator Coadjuvante – Também é quase impossível Christian Bale, de O Vencedor, perder a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante para os seus concorrentes. Ainda assim, também ficaria feliz se Geoffrey Rush saísse vitorioso.
Melhor Atriz Coadjuvante – Essa é uma categoria ainda um pouco enigmática pra mim. Mas a minha torcida vai mesmo para a Helena Bonham Carter, de O Discurso do Rei.
Melhor Roteiro Original – Como o espaço aqui é para os meus palpites – e a minha torcida, claro! -, aposto em O Discurso do Rei como vencedor.
Melhor Roteiro Adaptado – Mesmo sem ter a minha torcida, creio que A Rede Social deve levar esse prêmio. Mas queria muito que Inverno da Alma levasse pelo menos esse prêmio.
Melhor Animação – Infelizmente, não assisti a nenhuma das animações concorrentes, mas acho difícil Toy Story 3 não levar essa estatueta.
Melhor Fotografia – Creio que Cisne Negro deve levar mais este prêmio para casa, pois, entre os concorrentes, tem a fotografia mais original.
Melhor Documentário (Longa-metragem) – Não assisti a nenhum dos concorrentes, mas, claro, como qualquer brasileira, minha torcida fica para Lixo Extraordinário.