Frozen encanta público com história de amor entre irmãs

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Não é de se espantar que Frozen – Uma aventura congelante, ainda em cartaz no UCI Kinoplex, tenha superado o maior filme de animação da Disney até então. Vinte anos depois de O Rei Leão, melhor estreia dos estúdios, o longa-metragem que mostra a relação entre duas irmãs, em que uma delas tem poderes mágicos relacionados ao gelo, levou 1 milhão de espectadores só no seu fim de semana de estreia, enquanto a história sobre o leão Simba havia levado 523.604 pessoas às salas de exibição. Não se trata de comparações entre dois longas-metragens de qualidades inquestionáveis – e com histórias bem diferentes -, mas de reconhecer que finalmente a Disney conseguiu produzir uma animação tão encantadora quanto à de Simba.

Adaptado do conto de Hans Christian Andersen, A Rainha da Neve, Frozen tem todas as boas premissas de uma animação que pretende seduzir crianças e adultos: um belo visual e uma história tocante, com pitadas de bom humor. Anna e Elsa são duas princesas, herdeiras do trono de Arendelle, que se divertem na infância, principalmente com as brincadeiras proporcionadas pelos poderes mágicos da primogênita. A alegria no castelo é interrompida após um acidente, do qual Elsa sente-se responsável. Levada pelos pais aos trolls – pequenas criaturas sábias e alegres que conhecem o amor como ninguém -, Anna sobrevive, mas, para isso, parte de sua memória é retirada, e os poderes mágicos de Elsa precisam ser escondidos de todos, inclusive da irmã mais nova.

Alegre e vivaz, Anna insiste em ter uma relação mais próxima com Elsa, que passa a maior parte do tempo trancada em um quarto, tentando conter seus poderes. Tempos depois da morte dos pais, durante a coroação da mais velha como rainha as duas irmãs voltam a se encontrar, mas a descoberta acidental dos poderes de Elsa acaba por afastá-las novamente. Enquanto o reino sofre com um inverno cada vez mais rigoroso, Elsa constrói o seu castelo de gelo nas montanhas, onde, pelo menos, sente-se livre para ser quem é.

Frozen é um filme musical – os personagens cantam várias vezes para demonstrar suas emoções -, o que nem sempre agrada a todos, mas as cenas musicais são muito bem colocadas e ajustam-se bem ao enredo. Acrescente-se a isso um visual fascinante, graças ao efeito dos poderes mágicos de Elsa, que consegue produzir neve e peças de gelo, como o suntuoso castelo onde passa a viver e o vestido que produz após fugir do seu reino. Mas tudo isso seria mero detalhe não fosse sua história bem construída.

Centrada na relação entre as duas irmãs, Frozen é mais que um filme de princesas para agradar a jovens meninas. Assim como as irmãs Dashwood do livro Razão e Sensibilidade, da escritora britânica Jane Austen, Anna e Elsa são duas personalidades quase opostas, mas complementares. Enquanto Elsa precisa se conter o tempo todo– para não colocar ninguém em risco por causa dos seus poderes -, Anna é pura emoção, efusiva e impulsiva ao ponto de aceitar se casar com um príncipe que acabou de conhecer.

Por causa dessa personalidade da irmã mais nova, é difícil não criar uma empatia maior com essa personagem, principalmente quando ela passa a conviver com o alpinista Kristoff, a rena Sven e o boneco de neve Olaf, o alívio cômico da trama. Os três a acompanham em sua jornada à procura de Elsa e pela salvação do reino de Arendelle. Na versão dublada para o português, o simpático boneco criado por Elsa, que sonha em conhecer o verão – sem saber o que isso lhe causaria – tem a voz do humorista Fábio Porchat. E é justamente do personagem mais engraçado da história que vem uma linda definição do que é amor: “é quando você abre mão de suas necessidades por causa das necessidades de outra pessoa”.

Deixando em segundo plano o amor romântico, neste novo filme da Disney não é um beijo de um príncipe que salva uma princesa, mas um lindo gesto de amor entre irmãs. Mesmo os corações mais gélidos se aquecerão com esta animação que veio acrescentar mais duas princesas encantadoras ao rol onde figuram Aurora, Cinderela, Branca de Neve, Rapunzel, Ariel e tantas outras moças virtuosas, que lutam para chegar ao sonhado final feliz.

Publicado na edição do dia 18 de fevereiro de 2014 do jornal O Estado do Maranhão

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Publicado por

Poliana Ribeiro

Poliana Ribeiro é jornalista, especialista em Jornalismo Cultural pela Universidade Federal do Maranhão, apaixonada por Cinema, Literatura e Cultura de um modo geral, curiosa ao extremo, fã de Foo Fighters, Feist, Marisa Monte, Fernanda Takai e por aí vai.

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