Na medida do impossível: indiscutivelmente bom

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“Hoje eu só quero o silêncio”. O verso inicial de Doce companhia – uma versão para Dulce compañia, de Julieta Venegas – expressa o oposto do que se quer após se começar a ouvir Na medida do impossível, quarto disco solo de Fernanda Takai. A vontade é ouvir mais e mais a voz doce da mineira, que mais uma vez pede licença aos companheiros do Pato Fu para aventurar-se sozinha no mercado fonográfico. Novamente de maneira bem sucedida.

Quatro anos depois de lançar com sua banda Música de Brinquedo – uma rica compilação de canções conhecidas gravadas com sons de brinquedos e que consegue agradar adultos e crianças -, Fernanda Takai confirma as mesmas impressões deixadas pelos álbuns Onde brilhem os olhos seus, de 2007 – que reúne músicas que haviam sido gravadas por Nara Leão – Luz Negra, de 2009 – registro ao vivo da turnê – e o CD bilíngue Fundamental, de 2012 – projeto idealizado pelo ex-guitarrista do The Police, Andy Summers:  sabe com perfeição escolher um repertório agradável e sofisticado ao mesmo tempo.

Todas as músicas que a mineira canta funcionam com perfeição para a sua voz, como Mon amour, meu bem, ma femme – composta por Cleide e famosa na voz de Reginaldo Rossi e interpretada em dueto com Zélia Duncan nesta nova versão -, Como dizia o mestre, de Benito de Paula, e A pobreza, de Renato Barros.

E estabelecer boas parcerias é outro talento de Fernanda Takai, tanto para dividir os vocais – como no encontro com o conterrâneo mineiro Samuel Rosa, do Skank, em Pra curar essa dor, versão de Heal the pain, de George Michael – quanto para compor. Neste caso, os resultados foram as belas Seu tipo, parceria com Pitty, Quase desatento, com Marina Lima e Climério Ferreira, e De um jeito ou de outro, com Marcelo Bonfá. Mas o destaque vale mesmo para o dueto com o Padre Fabio de Melo, com quem gravou Amar como Jesus amou, do Padre Zezinho. A versão ganhou modernidade, com batidas eletrônicas, sem perder a singeleza da canção original.

Antenada com as tendências atuais, Takai disponibilizou o álbum inteiro para audição antes mesmo do lançamento oficial, no dia 18 de março, e vem utilizando bastante as redes sociais para divulgar seu trabalho. Mas foi sagaz ao lançar o CD com uma bela capa tridimensional – que mescla objetos em miniatura, imagens impressas e texturas, em um projeto assinado por Mariana Hardy, com base em uma imagem de 1885 do fotógrafo japonês Kusakabe Kimbei -, que certamente aumentará o interesse pela compra nas lojas.

A tarefa de ouvir um disco inteiro nos dias de hoje – com tanta oferta musical pela internet é quase impossível se demorar tanto em uma única obra – mostra-se um deleite quando se está diante de um álbum tão bem produzido. Em nenhum momento pensa-se em pular alguma música ou interromper a audição na metade. Todas as 13 faixas foram escolhidas para agradar quem gosta de música boa e ainda assim acessível.  

Fernanda Takai parece fazer sua música de um jeito tão descomplicado e despretensioso que é impossível não se sentir tocado pelos versos que entoa com sua voz quase sussurrada. Na medida do impossível é um alento em meio ao caos musical dos dias de hoje, quando tudo parece meio forçado e feito para vender, tocar no rádio e fazer sucesso. O disco é bom e fim de papo! Sem discussões ou contestações. Basta ouvir.

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Na medida do impossível foi lançado no ano em que o Pato Fu – uma das bandas mais ricas musicalmente do país – completa 22 anos, mas é quase como um projeto em conjunto, já que a produção é de John Ulhoa – marido de Fernanda Takai – e tem a participação de Lulu Camargo, ambos músicos da banda mineira, que não lança um CD de músicas inéditas desde 2007. Além do projeto solo de Takai, o baixista Ricardo Koctus lançou, no ano passado, o disco Samba Bossa Rock’n’Roll, e John assina a trilha sonora do espetáculo As aventuras de Alice no país das Maravilhas: a história e as músicas, do grupo Giramundo. 

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Publicado por

Poliana Ribeiro

Poliana Ribeiro é jornalista, especialista em Jornalismo Cultural pela Universidade Federal do Maranhão, apaixonada por Cinema, Literatura e Cultura de um modo geral, curiosa ao extremo, fã de Foo Fighters, Feist, Marisa Monte, Fernanda Takai e por aí vai.

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