Foo Fighters constrói mapa musical com disco e série

Um disco que passeia pela história musical norte-americana e se retroalimenta dessas influências; uma série de TV que acompanha esse processo; a expectativa para uma turnê mundial, com quatro shows no Brasil. Semana após semana, os fãs do Foo Fighters têm se desdobrado para acompanhar tudo o que rodeia a banda liderada por Dave Grohl, que em 2015 completa 20 anos de existência. E duas décadas depois, tudo o que se pode dizer é que Sonic Highways – novo CD que chegou às lojas na segunda-feira (10) – faz jus a uma história que começou com o fim trágico de uma das bandas mais emblemáticas da década de 90, mas cada vez mais se desvencilha dela.

Se no início do Foo Fighters Dave Grohl se esquivava de todas as perguntas sobre sua relação com Kurt Cobain e sua atuação como baterista do Nirvana, quase duas décadas depois ele começou a se sentir mais à vontade para falar sobre o assunto – embora não sem lamentos. Em 2011, Grohl exorcizou alguns de seus fantasmas no documentário Back & Forth, que acompanhou as gravações do álbum Wasting Light. Em 2014, ele chegou a fazer as pazes com Courtney Love, viúva de Cobain, durante as homenagens ao Nirvana no tributo realizado no Rock and Roll Hall of Fame. E em Sonic Highways, Seattle, cidade norte-americana onde nasceu o Nirvana, foi uma das escolhidas no mapa musical criado pelo Foo Fighters em sua nova empreitada.

Se por um lado não se pode ignorar esse capítulo da história de Dave Grohl, por outro o Foo Fighter tornou-se muito mais que a banda criada pelo ex-baterista do Nirvana. Com oito álbuns de estúdio lançados – além de um acústico e de uma compilação de hits -, além de vários projetos paralelos de seus integrantes – como Them Crooked Vultures – e uma infinidade de parcerias, o FF é hoje uma das bandas mais profícuas do rock alternativo.

Grohl, Chris Shifflet, Taylor Hawkins, Pat Smear e Nate Mendel conseguiram uma sintonia musical cada vez mais rara em bandas com um pouco mais de estrada. Talvez porque os papéis tenham sido bem definidos desde o início do FF, em 1994. Dave Grohl não é apenas o frontman, mas, principalmente, o líder do grupo. Em geral, os projetos partem dele e são abraçados pelos demais. Foi assim, por exemplo, com Sonic Highways, mais uma ousadia do inventivo Grohl.

Música – Após o bem-sucedido Wasting Light, gravado no estúdio caseiro de Dave Grohl com equipamentos analógicos e produzido por Buch Vig – o mesmo produtor do aclamado Nevermind, do Nirvana -, o frontman do Foo Fighters mostrou seu lado diretor com o documentário Sound City, que fazia mais que um resgate do lendário estúdio que recebeu nomes de peso da música – como Tom Petty, Neil Young, Metallica, entre outros -, pois destacava capítulos importantes da música norte-americana.

Mais que isso, Sound City foi o embrião da série Sonic Highways – exibida nos EUA pelo canal HBO e que chegará ao Brasil dia 30, pelo canal BIS -, que nasceu da necessidade que Dave Grohl demonstra ter de reverenciar a boa música. Em oito capítulos, os Foo Fighters traçam um mapa musical dos Estados Unidos por estradas sônicas que, embora pareçam dissociadas, se correlacionam. O clímax de todas as entrevistas realizadas por Grohl, com músicos, produtores e pessoas célebres – como o presidente Barack Obama -, é a canção escrita pelo líder do Foo Fighters ao final de cada episódio.

Faixa a faixa – Chicago, Washington, Nashville, Austin, Los Angeles, Nova Orleans, Seattle e Nova York foram os destinos escolhidos para a experiência sociológica e musical da banda. O primeiro registro, que teve como personagens o guitarrista Rick Nielsen (do Cheap Trick), o produtor Steve Albini, entre outros, resultou na música Something from nothing, a primeira a ser divulgada na internet. A canção traz todas as referências à história musical de Chicago, desde o blues até o punk e começa mais devagar até explodir com os berros inconfundíveis de Grohl.

The Feast and the Famine traz à tona a cena punk de Washington DC, onde Dave Grohl cresceu. Entre os depoimentos, destaque para a prima Tracey, que teve papel fundamental na iniciação de Grohl na música, como fica claro na biografia This is a Call, de Paul Brannigan. De Nashville, terra do country, nasceu Congregation, que tem a participação especial de Zac Brown nas guitarras e nos vocais. Uma faixa dupla nasceu em Austin, Texas: What did I do/God is my witness tem a participação de Gary Clark Jr nas guitarras.

De Los Angeles – onde alguns integrantes da banda moram atualmente – vem Outside, definida por alguns fãs como uma canção com influências da surf music. O jazz característico de Nova Orleans foi a trilha sonora que serviu de inspiração para In the clear, que tem a participação da New Orleans Preservation Hall Jazz Band. A mais obscura das faixas de Sonic Highways é Subterranean, gravada em Seattle, local que acompanhou o nascimento do Nirvana e, com ele, do grunge. Encerrando o disco, Nova York é representada por I am a river, que tem a participação de Joan Jett.

Musicalmente, Sonic Highways é o disco mais complexo do Foo Fighters, embora tenha apenas oito faixas. Talvez muitos não o compreendam bem, enquanto outros teimem em compará-lo aos seus antecessores, certo é que Dave Grohl cumpriu com o prometido e lançou um álbum diferente de tudo o que a banda já fez anteriormente, mas sem perder a identidade.

Discografia:

– Foo Fighters, 1995sonic highways cd

– The Colour and the shape, 1997

– There’s nothing left to lose, 1999

– One by one, 2002

– In your honor, 2005 Skin and bones, 2006

– Echoes, silence, patience & Grace,2007

– Greatest Hits, 2009

– Wasting Light, 2011

– Sonic Higways, 2014

Texto publicado na edição do dia 23 de novembro de 2014 do Jornal O Estado do Maranhão

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Publicado por

Poliana Ribeiro

Poliana Ribeiro é jornalista, especialista em Jornalismo Cultural pela Universidade Federal do Maranhão, apaixonada por Cinema, Literatura e Cultura de um modo geral, curiosa ao extremo, fã de Foo Fighters, Feist, Marisa Monte, Fernanda Takai e por aí vai.

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